´Me disseram que estou na fila do exame e a demanda é que está muito grande´

Covid-19
Imagem meramente ilustrativa

L.J.G. tem 34 anos, mora sozinha em um apartamento no bairro da Conquista e trabalha numa clínica de saúde particular da cidade. No dia 9 de março, atendeu uma paciente que apresentava forte gripe e uma grande indisposição. Como informação complementar, lhe fora dito que alguns dias antes a paciente havia hospedado uma tia que acabara de chegar da Espanha, um dos países da europa mais atingidos pelo Covid-19.

L. acendeu o sinal da alerta.

Mais preocupada ainda começou a ficar, no dia 19, quando passou a apresentar um quadro de febre, coriza e sudorese (secreção de suor; transpiração). Por volta do meio-dia acionou o número de celular cujo final é 6206, da Vigilância Epidemiológica, e relatou para o técnico que lhe atendeu, sobre os sintomas que estava sentindo. Diante do quadro narrado, o primeiro passo do outro lado da linha foi lhe pedir para não sair de casa. Que aguardasse a chegada dos profissionais da saúde para fazer o exame no prazo máximo de 48 horas.

Hoje, por volta das 15 horas, cerca de 51 horas após o telefonema, o Jornal Bahia Online voltou a conversar com L.J.G. Ele ainda não foi procurada. Nem retorno teve. Preocupada, voltou a ligar para o mesmo número de celular. Para sua surpresa, foi informada que seu pedido de visita e da coleta de exame está “na fila”. O técnico disse que a demanda está muito grande e que por isso é preciso esperar a vez.

De 19 para cá, a saúde de L.J.G. debilitou. Ela não sente fome, a febre continua. “Resolvi denunciar por que acho uma falta de respeito, uma total inoperância por parte do órgão responsável por nos socorrer”, disse ao JBO. Disse também que se sente numa “sinuca de bico” já que não pode sair de casa, por orientação da vigilância, para pedir atendimento noutro lugar. "Se positiva, posso contaminar outras pessoas", lembra.

O Jornal Bahia Online esclarece que a proposta da matéria não é fazer sensacionalismo. Nem tampouco colocar em dúvida a eficiência do trabalho da Vigilância Epidemiológica. Muito pelo contrário. Sabemos o tamanho da dedicação de todos. Mas é para chamar a atenção das autoridades municipais – que acham ou demonstram achar que está tudo sob controle - para uma situação real que tende a piorar, considerando que ainda não estamos no ápice da crise.

É preciso que as autoridades aproximem a teoria e a prática. Isso não é carnaval. É algo muito sério.

Matéria atualizada às 16h36min - De acordo com o coordenador da Central de Regulação do SUS em Ilhéus, Fábio Mantena, conforme fluxograma municipal, baseado em protocolo ministerial, como houve agravamento dos sintomas, a medida hoje deve ser: chamar o Samu 192 que a transportará para UPA . Lá será prestada assistência e o paciente será avaliado sobre a necessidade de encaminhamento para o hospital de referência.

Matéria atualizada às 19h05 - O coordenador da vigilância epidemiológica de Ilhéus, Gleidson Santana Souza, nega que o serviço esteja informando que visitará as pessoas com suspeita no prazo de 48 horas. "Assim que possível é que a gente vai passar na casa da pessoa", afirma. Gleidson explica que os técnicos têm até o décimo-quarto dia para efetivar a visita e fazer a coleta. Enquanto isso a pessoa deverá permanecer isolada. Caso piore, deve ligar para o Samu, que será encaminhada para o hospital.